Canudos

Raso da Catarina

 

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Impressões sobre o Sertão


Canudos: A Saga de Antonio Conselheiro



Quem pisa pela primeira vez nas margens do açude de Cocorobó sente nas entranhas o peso do massacre do Arraial de Canudos(BA). Atualmente a estátua de Antônio Conselheiro inspira no visitante momentos de reflexão, transporta a imaginação para o fim do século XIX. Para os mais sensíveis é até possível ouvir a matadeira nervosa queimando sem parar os "revoltosos". Antônio Vicente Mendes Maciel nasceu em Quixeramobim (CE) no dia 13/03/1830. Depois de uma infância difícil casa-se e busca uma identidade profissional em várias cidades até que sua mulher se envolve com um furriel. Antônio abandona a família e em 1872 decide aceitar a condição de andarilho.


"Vou para onde me chamam os mal aventurados".

Sua fama se espalha rapidamente, provocando a admiração dos seguidores e a preocupação dos latifundiários e da Igreja. Tido como fanatizador suas pregações são proíbidas oficialmente e, com a Proclamação da República em 1889 se torna inimigo do novo regime.

Sai em cruzada pelo sertão construindo igrejas e pregando contra o pagamento de impostos até o primeiro confronto na cidade de Massaté (BA). Em 1892 resolve se fixar na Terra Prometida. Em 1893 Antonio Conselheiro chega às margens do rio Vaza Barris no sertão da Bahia e funda nas terras de Belo Monte o Arraial de Canudos moldado nos mais puros ideais ararquistas. Uso coletivo da terra, sem polícia e sem impostos, sem patrão e empregado.

Em 4 anos a população chega a 20 mil habitantes e Canudos já é a segunda maior cidade da Bahia. Um enviado de Padre Cícero ouve a incrível visão de Conselheiro: "Haverá quatro fogos, os três primeiros serão meus, o quarto eu entrego nas mãos do Bom Jesus". Dito e feito. a guerra durou 1 ano e consumiu 25 mil vidas entre oficiais, soldados, sertanejos, ex-escravos e índios. Foram 4 expedições militares com soldados de 17 Estados, canhões, metralhadoras e até a Marinha entrou com 5 navios. Depois dos três primeiros fogos o Exército enfim conseguiu destruir Canudos em 05 de outubro de de 1887. O Arraial foi incendiado e conselheristas degolados.

ARARAS-AZUIS: NOVA ESPERANÇA DE VIDA NA REGIÃO DE CANUDOS


Em 1978 o Prof. Helmut Sick partiu em busca dos últimos remanescentes das araras-azuis-de-lear. A ave estava entre os animais mais ameaçados de extinção e, graças ao trabalho de Sick, a população vem aumentando ano a ano e está preservada nas serras de Canudos. A época mais delicada é durante a nidificação. Nesta fase os traficantes se aproveitam para capturar os animais. Felizmente este crime bárbaro está cada vez mais raro, devido a firme presença dos funcionários da Fundação Biodiversitas, responsáveis por uma das áreas dormitório ds araras.

 

 



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