O registro fotográfico de uma montanha deve revelar muito mais do que escaladores no cume. Independentemente da altitude, subir uma montanha parece nos levar ao desapego das coisas materiais e a abrir a mente para um pensamento espiritual. Assim, o respeito pela montanha duarante o ato de fotografar é a primeira dica para uma imagem bem feita.
Na parte técnica, a primeira pergunta é: qual a melhor luz para registrar uma montanha? Ao longo do dia, como ocorrem variações qualitativas e quantitaivas de luz, a dúvida incomoda a maioria dos fotógrafos iniciantes. Segundo o fotógrafo austríaco Ernst Hass, mestre em natureza, toda luz é a melhor, basta saber usá-la. Durante o amanhecer e o crepúsculo, uma ótima opção é a contraluz, utilizando as silhuetas irregulares das montanhas em composição com nuvens róseo-douradas.
Entre 6h e 8h e 16h e 18h, há o período de ouro. Montanhas com face leste e oeste ganham um colorido quente que, dependendo da região pode durar pouco tempo. Por isso, estar no local antes do sol nascer ou se pôr é fundamental. Com ajuda de um filtro de densidade neutra é possível tornar o céu mais escuro e provocar um efeito interessante.
REFLEXOS
O mestre diz que toda a luz é a melhor. Mas há umas melhores que as outras. Isso acontece com frequência no norte de Minas Gerais. As montanhas desta região são cobertas por líquens que conferem uma coloração verde-azulada que, combinada com a luz quente do amanhecer, forma uma rica gama de cores. Com a ajuda do reflexo das águas cristalinas de um lago, numa tarde sem vento, surge uma imagem com ritmo e grande impacto visual, valorizada pelo enquadramento centralizado. Fotos de montanhas refletidas em lagos são bastante difundidas e geralmente ficam belíssimas quando se aproveita a luz.
PRIMEIRO PLANO
Quando tudo parece perdido, fique esperto. É nestas horas que costuma aparecer aquela luz mágica que dura poucos minutos. Após um dia inteiro de caminhada pelo Gerais do Vieira, na Chapada Diamantina (BA), debaixo de um mormaço infernal e com quase 15 quilos de equipamentos nas costas, a chuva veio com força. O desânimo foi geral. Menos para o mestre Araquém Alcântara.
Sua insistência para esperar mais um pouco permitiu o registro de uma grande cena. Para tal, a câmera estava com filme novo, baterias carregadas, lente escolhida e tripé na mão. A chuva parou e o sol surgiu por entre uma brecha das nuvens, quase no horizonte. Foi o tempo de armar o tripé, escolher o ângulo e pensar rápido. Para encobrir a forte sombra da montanha foi usado um conjunto de bromélias no primeiro plano, com o Morro Branco do Pati ao fundo.
GRANDE ANGULAR
A distância focal de uma objetiva grande angular, quando usada de forma adequada, pode gerar imagens dramáticas. As distorções que podem ser provocadas pelas lentes devem ajudar em vêz de atrapalhar o fotógrafo. Costumo alinhar pelo lado direito, ou seja, na hora de fotografar, escolho uma região da foto para ficar alinhada com a margem direita do quadro. Na foto ao lado o Cristo Redentor foi o ponto de referência. O restante da montanha, assim como as nuvens, formaram diagonais que conferiram dramaticidade à cena, e a contraluz só aumentou este efeito.
ESPORTES RADICAIS
"3,2,1, FUI!" É assim que o B.A.S.E. jumper Luiz Henrique Tapajós, o Sabiá, se despede antes de um salto radical despenhadeiro abaixo, tendo como aliado um pára-quedas. Para fotografar desci uns 10 metros de rapel até uma plataforma. Fiquei ancorado na corda principal e em uma fita de segurança, com a câmera amarrada a uma cadeirinha. Todas as medições e regulagens estavam prontas antes do salto, pois não há segunda chance. Disparei em modo contínuo no momento da contagem e acompanhei o atleta em queda livre. A contraluz foi obtida com fotometria no modo central no céu. Para congelar a imagem do atleta, a velocidade deve ser no mínimo 1/200s. O enquadramento vertical permite ao observador viajar na imagem. Há uma co-dependência entre o esportista radical e a montanha, com ambos valorizados.
VERTICAL OU HORIZONTAL
Escolher entre o enquadramento vertical ou horizontal depende do que se quer mostrar. No arranjo vertical, o primeiro plano é mais valorizado, levando o olhar a caminhar pela imagem, "subindo" a montanha. No horizontal, a montanha já aparece como plano central, economizando a caminhada do olhar. As linhas diagonais são importantes instrumentos para direcionar o olhar do observador, dando movimento e fazendo com que ele se imagine subindo a montanha até o cume.
David Santos Jr | Fotografe Melhor - Como Fotografar Montanhas
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