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National Geographic - Mais Brasil


Raso da Catarina
O Coração da Caatinga
Fevereiro 2001



Texto: Ronaldo Ribeiro
Foto: David Santos Júnior


O fotógrafo Araquém Alcântara é um incansável observador da natureza do Brasil. Viajante veterano, ele lamentava, uns dois anos atrás, sua ainda frágil documentação da caatinga nordestina.

Deu partida então para uma série de jornadas pelas entranhas do Ceará, do Piauí e de Pernambuco Mas foi no Raso da Catarina, na Bahia, que Araquém achou o foco para melhor registrar a aridez humana e natural que exala o sertão.

Hospedou-se em isolados sítios sertanejos, cavalgou com cavaleiros encourados e passou dias camuflado em busca do vôo incerto das araras-azuis-de-lear (na foto ele é o segundo da esquerda para a direita, ao lado de três conservacionistas da espécie).

Em setembro, o editor sênior Ronaldo Ribeiro juntou-se a ele e a outros dois fotógrafos, André Pessoa e David Santos Júnior (respectivamente o quarto e o último na foto) para mais uma incursão na caatinga. O editor preocupou-se sobretudo em coletar as surpreendentes histórias de vida dos personagens do Raso, caso de seu João de Régis, cujos pais sobreviveram à revolta de Canudos. O saldo desta expedição é a reportagem de estréia da seção Mais Brasil.



Percílio dos Pássaros
As aves no quintal
Janeiro 2002



Texto: Ronaldo Ribeiro
Foto: David Santos Júnior




O Agricultor José Percílio Costa (foto) tinha 8 anos quando ganhou sua primeira ave silvestre, um carcará. Hoje, no seu sítio em Areia Branca, Sergipe, ele cuida de mais de 300 delas - siriemas, jacus e outras.
Os filhotes, após um período de adaptação, são soltos nas matas da serra de Itabaiana. O Ibama monitora o cativeiro e os resultados surpreendem até os biólogos que regularmente o visitam.


No Alto de Monte Santo
Junho 2001



Texto e Foto: David Santos Júnior


Bem cedo, às 4 da manhã, matracas soam pelas ruas e despertam Monte Santo para a Sexta-Feira da Paixão. Tem sido assim desde 1775, quando o capuchinho Apolônio chegou ao sertão da Bahia e visualizou certa semelhança entre o monte Gólgota, onde Cristo foi crucificado, e a montanha que acabou por batizar a cidade.

A via-crucis é revivida numa peregrinação de 3 quilômetros até o topo - na subida, os sertanejos entoam hinos e pagam promessas. O escritor Euclides da Cunha definiu Monte Santo como "a mais alta das mais altas catedrais do mundo" . Mas, além da fé, a cidade tem muita história. Foi base do Exército na Guerra de Canudos e cenário de filmes de Glauber Rocha, como Deus e o Diabo na Terra do Sol.


Capital do Cangaço
Piranhas lembra os 65 anos da morte de Lampião
Junho 2002



Texto: David Santos Júnior
Foto: Acervo Família Ferreira



Em 28 de julho de 1938, partiu da cidade algoana de Piranhas a volante (patrulha policial) do tenente João Bezerra da Silva. Missão: dar cabo do maior cangaceiro do Nordeste, Virgolino Ferreira da Silva, o Lampião.

Depois de um sangrento combate na grota do Angico, na margem sergipana do rio São Francisco, a cabeça dele e de outros dez cangaceiros foram decepadas e expostas em uma praça na cidade. Exatos 65 anos depois, a região se prepara para lembrar a data com o seminário "A influência do cangaço no sertão", nas vizinhas cidades de Poço Redondo e Canindé do São Francisco (SE), em 26 e 27 deste mês.

No dia 28 haverá uma missa em Angico, onde uma cruz marca o lugar onde Lampião foi morto. "É um sinal do valor cultural do cangaço e mostra que o mito de Lampião ainda vive na memória do sertanejo", analisa Expedita Ferreira, filha únida de Virgolino Ferreira e Maria Bonita. Lampião nasceu em 1898 no sítio Passagem das Pedras, no município de Vila Bela, atual Serra Talhada (PE).

Com a morte do pai, em 1920, entrou para o cangaço e, em pouco tempo, já liderava o próprio grupo.Transformou-se numa espécie de Robim Hood do sertão e teve uma vida de paradoxos: protagonizou saques, mortes e extorsões, esteve ao lado da polícia no combate a Coluna Prestes e foi generoso ao distribuir alimentos e dinheiro aos mais carentes.


Folias Juninas
Junho 2004



Texto: Ronaldo Ribeiro
Foto: David Santos Júnior


Apesar da invasão do forró eletrônico em muitos eventos, folguedos tradicionais ainda resistem num dos estados que mais valorizam as festas juninas: o Sergipe.

Na antiga cidade de São Cristóvão, Raimundo Bispo dos Santos comanda um grupo de bacamarteiros (acima) – cuja cultura, curiosamente, tem inspiração em conflitos do sul do país, como a Guerra Cisplatina, de 1865. O comandante e sua tropa saem durante o são João vestidos de azuarte (espécie de brim azul) disparando tiros de pólvora seca, numa ação que comemora a volta do sertanejo dos distantes campos de batalha.

A arma usada é o bacamarte, semelhante às granadeiras comuns na Guerra do Paraguai. "O costume passa de pai para filho. Mas, se o pai morre e não há homens na família, é a esposa ou uma filha quem assume a liderança", diz Seu Raimundo. Já dona Biu, manteve em vida a tradição da Caceteira de Rindu (ao lado). Seus antepassados, na véspera de são João, saíam de casa em casa pedindo cachaça, comida e presentes. E, de madrugada, adentravam a mata para procurar o mastro da festa para o mais importante santo junino – mesmo não sendo tão casamenteiro quanto Santo Antônio.


Parques Nacionais - Nova Política
Principais Reservas Brasileiras serão Terceirizadas
Março 2001



Texto: Ronaldo Ribeiro
Foto: David Santos Júnior


Os parques nacionais, em tese, são criados para a preservação das riquezas naturais de uma região. São reservas que devem servir também para pesquisas e lazer. No Brasil, a última parte desta receita nunca foi exatamente cumprida - sem nenhuma estrutura ou acomodações, quase metade de nossas 44 reservas federais estão fechadas para visitantes.

Em janeiro esta lacuna começou a se preenchida com o anúncio oficial da terceirização de 16 parques importantes, entre eles o de Itatiaia (RJ/MG), o de Abrolhos (BA) e o da Serra dos Órgãos (RJ). Na prática isso significa que empresas privadas poderão agora organizar os serviços de atendimento ao público - o IBAMA vai continuar responsável pela fiscalização ambiental e pelas pesquisas científicas.

A experiência foi inaugurada no mais movimentado parque brasileiro, o de Foz do Iguaçu. As cataratas monumentais do rio Iguaçu (foto) atraem quase 1 milhão de pessoas por ano ao oeste do Paraná. O consórcio de 6 empresas que assumiu o parque espera dobrar este número em 15 anos.


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